Era o dia dos pais de 2012. Estava muito triste pelas constantes crises em família, mas feliz por, ao menos, ter bom contato com meu filho. Justamente o pequeno Miguel, um mini fã ferroviário inveterado, mostrou-me o que poderia ser a melhor higiene mental: reacender a antiga paixão pelos trens elétricos.
Passeando pelo Barrashopping, Rio de Janeiro, encontramos uma loja de modelismo profissional, a Hobby on Line. Ao "namorar" a vitrine encontramos várias caixas básicas da Frateschi. Ficamos observando por uns 20 minutos, mas mesmo assim, não levamos nenhum para casa. Para a condição financeira daquele momento de crise a aquisição de uma caixa básica sairia muito caro.
Chegando em casa, em visita a meu querido pai, contei de meu passeio com Miguel e ele me perguntou se eu precisava de ajuda para comprar o trem. Relutei um pouco, mas aceitei depois de ele ter insistido um pouco mais. Dois fatores: dia dos pais e interesse do Miguel simultâneos.
Claro que não houve qualquer oposição por parte de meu amado filho. Na verdade ele ficou radiante.
Eu, com 37 anos, ganhando um presente de dia dos pais, de meu pai, e que também faria a alegria do meu filho. Já estava começando a sentir melhor para erguer a cabeça longe das crises. O estresse estava com dias contados. Talvez a vida começasse a parecer melhor agora.
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| G8 e G22CU cada qual com sua composição. |
Dois meses depois comprei mais uma locomotiva: a G22CU, com pintura da antiga RFFSA, para criar eventuais composições "duplex" junto com a G8 que veio na caixa básica.
Como acontece com todo mundo, a ansiedade em ver os trens circulando imediatamente foi um sentimento comum entre Miguel e eu. Montamos o circuito oval da caixa básica com a ajuda de meu irmão e ligamos o controlador à tomada. Ninguém mais queria dormir.
Umas semanas depois peguei uma antiga porta de madeira que estava sem uso na oficina do meu pai e limpei com bastante detalhe. Estava certo de que ela seria meu primeiro tablado para a ferrovia que desenhava na mente.
| A primeira viagem da G8. |
Feita a limpeza, adicionei uma caixa de ampliação Hobby Trilho à oval e o traçado ficou incrivelmente lindo. Inicialmente, fiquei sem os desvios automáticos e Miguel cuidava de mudar os desvios manualmente. Mais alguns dias e ele já estava controlando os trens e mudando os desvios sozinho, sem minha ajuda. Por vezes acordei pela manhã e ele não estava na caminha dele, mas ouvia ele fazendo sons de buzina de trem na sala. Era o pequeno maquinista já ao trabalho em minha ferrovia bem cedo.
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| Miguelzinho e a G22 |
É justo falar que o trem elétrico me devolveu aos trilhos como disse um amigo lá do trabalho. Sem dúvida é uma higiene mental que me tira com facilidade e rapidez das rotinas mais estressantes. Ainda por cima, me aproximou ainda mais de meu filho por compartilharmos esses gostos.
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| Meu primeiro tablado sendo construído numa porta de 0,80 m x 2,10 m |
Os passos que se seguiram foram a concepção de uma ferrovia digna, e o diário do projeto e da construção continuará sendo compartilhado aqui neste espaço, bem como belas histórias de pai para filho (e vice-versa).
Até a próxima estação!




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