quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Via Santa começa a sair do papel




O planejamento entra na reta final e a notícia de que a Ferrovia Santacruzense iniciará sua construção se aproxima. Muitos quilômetros de trilhos poderão ressuscitar o tréfego de pessoas e mercadorias na região outrora grande corredor rural e industrial. Com a realização da ferrovia principal, uma nova promessa para o futuro panorama: linhas de bondes substituirão o tráfego de ônibus em definitivo, mas isso só depois de estabelecido, por completo, o ramal de trens e iniciadas as suas atividades.








Por mais fictício que possa ser, a maquete da Ferrovia Santacruzense (carinhosamente apelidada de ViaSanta) será uma utopia a ser alcançada no meu querido bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Um sonho. Nada mais que isso.


Coisas que não acontecerão por falta de planejamento e interesse de governantes e administradores, mas que farei ser realidade em minha maquete.


Assumi o espírito do ferreomodelismo com a devida paixão. A ansiedade da criança ávida por ver os trens circulando se foi, e ficou o interesse pelo planejamento, pelo envelhecimento e maturação das ideias. Aliás, um aprendizado muito interessante para a vida: um passo de cada vez. O ferreomodelismo nos ensina a ter verdadeiro gosto pela perfeição e isso é conseguido com paciência, com esmero demorado. É um hobby perfeito para mim.

segunda-feira, 11 de março de 2013

A caixa básica


Era o dia dos pais de 2012. Estava muito triste pelas constantes crises em família, mas feliz por, ao menos, ter bom contato com meu filho. Justamente o pequeno Miguel, um mini fã ferroviário inveterado, mostrou-me o que poderia ser a melhor higiene mental: reacender a antiga paixão pelos trens elétricos.

Passeando pelo Barrashopping, Rio de Janeiro, encontramos uma loja de modelismo profissional, a Hobby on Line. Ao "namorar" a vitrine encontramos várias caixas básicas da Frateschi. Ficamos observando por uns 20 minutos, mas mesmo assim, não levamos nenhum para casa. Para a condição financeira daquele momento de crise a aquisição de uma caixa básica sairia muito caro.

Chegando em casa, em visita a meu querido pai, contei de meu passeio com Miguel e ele me perguntou se eu precisava de ajuda para comprar o trem. Relutei um pouco, mas aceitei depois de ele ter insistido um pouco mais. Dois fatores: dia dos pais e interesse do Miguel simultâneos.

Claro que não houve qualquer oposição por parte de meu amado filho. Na verdade ele ficou radiante.

Eu, com 37 anos, ganhando um presente de dia dos pais, de meu pai, e que também faria a alegria do meu filho. Já estava começando a sentir melhor para erguer a cabeça longe das crises. O estresse estava com dias contados. Talvez a vida começasse a parecer melhor agora.

G8 e G22CU cada qual com sua composição.

Dois meses depois comprei mais uma locomotiva: a G22CU, com pintura da antiga RFFSA, para criar eventuais composições "duplex" junto com a G8 que veio na caixa básica.

Como acontece com todo mundo, a ansiedade em ver os trens circulando imediatamente foi um sentimento comum entre Miguel e eu. Montamos o circuito oval da caixa básica com a ajuda de meu irmão e ligamos o controlador à tomada. Ninguém mais queria dormir.

Umas semanas depois peguei uma antiga porta de madeira que estava sem uso na oficina do meu pai e limpei com bastante detalhe. Estava certo de que ela seria meu primeiro tablado para a ferrovia que desenhava na mente.

A primeira viagem da G8.

Feita a limpeza, adicionei uma caixa de ampliação Hobby Trilho à oval e o traçado ficou incrivelmente lindo. Inicialmente, fiquei sem os desvios automáticos e Miguel cuidava de mudar os desvios manualmente. Mais alguns dias e ele já estava controlando os trens e mudando os desvios sozinho, sem minha ajuda. Por vezes acordei pela manhã e ele não estava na caminha dele, mas ouvia ele fazendo sons de buzina de trem na sala. Era o pequeno maquinista já ao trabalho em minha ferrovia bem cedo.

Miguelzinho e a G22

É justo falar que o trem elétrico me devolveu aos trilhos como disse um amigo lá do trabalho. Sem dúvida é uma higiene mental que me tira com facilidade e rapidez das rotinas mais estressantes. Ainda por cima, me aproximou ainda mais de meu filho por compartilharmos esses gostos.

Meu primeiro tablado sendo construído numa porta de 0,80 m x 2,10 m

Os passos que se seguiram foram a concepção de uma ferrovia digna, e o diário do projeto e da construção continuará sendo compartilhado aqui neste espaço, bem como belas histórias de pai para filho (e vice-versa).

Até a próxima estação!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Pausa nos projetos



Neste carnaval último não houve atividade na ferrovia. Pensei em aproveitar a época para fazer as conversões para engates Kadee, mas a mudança de casa e consequentes problemas com a internet me obrigaram a dar uma pausa. Até essa postagem foi toda escrita no celular.


Meu estúdio ficou prejudicado: muito trabalho parado, outros foram entregues com atraso, poucas idéias para inovar e, claro, nenhum lazer. Estou há apenas três dias na casa nova, mas ainda não tenho internet e a ferrovia está na casa de meu pai aguardando eu ir buscá-la.

Nesse meio tempo, um grande amigo me surpreendeu.

O pai dele era ferreomodelista, mas infelizmente veio a falecer há pouco tempo. Ele pensou em doar os trens da coleção do pai e lembrou que eu estava construindo minha primeira ferrovia, então resolveu perguntar se eu queria. Fiquei sem saber o que dizer. São trens brasileiros da Frateschi e alguns alemães da Marklin, um dos fabricantes mais importantes do segmento na Europa. Mas antes de admirar os trens, não consegui evitar de atribuir um grande valor sentimental a este conjunto, por ter sido do papai do querido Alexandre.





Não me passou à cabeça adquirir trens importados. Estava decidido a seguir pela linha do ferreomodelismo "verde-amarelo", mas vou agora criar um trecho onde circularão estes trens alemães, em homenagem ao meu amigo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O Ferrorama

Há muito tempo atrás, primeira metade dos anos 80, meu pai me deu um dos brinquedos mais queridos de toda a minha vida (sim eu elegia certos brinquedos como preferidos e ainda me lembro quais eram): o Ferrorama. A ideia do trem era fantástica e tinha uma coisa que, para mim, era exigência número um em qualquer brinquedo: não poderia se parecer com um brinquedo, tinha que se parecer com o real. Apesar de não ter nascido na era das locomotivas à vapor, este trem era absurdamente mais parecido com as locomotivas que via em filmes de faroeste do que qualquer outro similar. Não era multicolorido e suas dimensões eram mais proporcionais.

Meu primeiro Ferrorama era um XP-100, o mais simples de uma série de seis modelos, mas mesmo assim, não me sentia em desvantagem. Eu ADORAVA esse trem de paixão. Nunca esqueci de quando meu pai o comprou: foi num fim-de-tarde em Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro, bairro vizinho do meu, Santa Cruz. O trem foi comprado nas casas Sendas, numa época em que supermercados vendiam brinquedos muito bons e tinham seções GIGANTESCAS com toda a variedade capaz de fazer qualquer criança querer morar na loja.

Um Ferrorama XP-100 idêntico ao meu da época

Lógico que não existe mais. Eu era muito curioso e bagunceiro e, acabava colocando meus brinquedos sob várias provas de resistência. Somente alguns, que minha mãe cuidava de esconder inteligentemente, existem até hoje e servem para lembrar como minha infância foi boa e o quanto devo a meus pais por ter formado em mim um caráter simples, apesar de não terem me exposto a dificuldades. Agora é minha vez de fazer o mesmo por meu querido filho.

Neste natal último (2012), presenteei o pequeno Miguel com um Ferrorama XP-600, o mais avançado e mais desejado pelas crianças nos idos anos 80. Depois de algum tempo, a estrela interrompeu e re-lançou as séries com numerações diferentes, mas conservando as características dos antigos. As grandes diferenças eram o som e as luzes, não presentes nas versões anteriores. Dessa forma, as numerações, ao invés de XP-100, XP-200, XP-300, XP-400, XP-500 e XP-600, ficaram assim: XP-1100, XP-1200, XP-1300, XP-1400 e XP-1500. Não existia XP-1600.

Como consegui um brinquedo tão especial e fora de catálogo?

Conheci um vendedor de brinquedos antigos que tinha anunciado este Ferrorama no site Mercado Livre. Uma grande surpresa foi quando soube que ele mora no Rio de Janeiro e fui retirar a caixa em sua residência pessoalmente. Contei do valor que este trem representava para mim e que eu o daria de presente ao meu filho e ele acabou me dando de presente mais um vagão extra de passageiros. Este novo grande amigo também me contou que colecionava trens e acabamos conversando por uns quarenta minutos sobre infâncias e futuros, já que somos pais muito presentes.

Dar ao meu filho um presente que era um sonho dos meus tempos de moleque carregou o ato de bons sentimentos e muito amor. A expressão do menino ao ver o trem circulando pelo enorme conjunto de trilhos que tomou TODO o chão da sala foi a coisa mais linda daquela noite.

Depois que entrei "de cabeça" nesse mundo do ferreomodelismo resolvi resgatar um pouco sobre a história e orígem desse fantástico trenzinho da Estrela que fez tanta gente feliz.

Fui às pesquisas pela internet e acabei me surpreendendo com os resultados.

O brinquedo que no Brasil chamamos de Ferrorama foi projetado pela empresa japonesa Tomy, e seu verdadeiro nome é Super Rail Black.

Super Rail Black, o Ferrorama original. Tinha que ser japonês, né!

Isso explica algumas diferenças entre as locomotivas ocidentais que via nos filmes de faroeste e mesmo as nossas antigas Consolidation, da Estrada de Ferro Central do Brasil, na qual meu avô trabalhava como maquinista.

É uma locomotiva originalmente japonesa e é conhecida por D-51. Construída pela Kawasaki Heavy Industries Rolling Stock Company, sob a configuração 2-8-2 Mikado, rodou pelo Japão entre 1936 e 1951.
Locomotiva D-51 452, preservada em seu país.

E pra variar, muito diferente do que acontece com os sucateamentos "a la brazil", a maioria dessas locomotivas estão preservadas em museus por seu valor histórico, e também há uma linha atualmente em operação: a Joetsu Line (D-51 498), operada pela JR East. Isso é o mínimo que se poderia esperar de um país que apostou em seu desenvolvimento sobre os trilhos. Cá entre nós: o que é a "reta" ferroviária de um país de escala continental como o Brasil diante da complexidade e funcionalidade de uma verdadeira "malha", num país tão pequeno como o Japão? Nos falta muito a aprender sobre o valor dos trens com eles.

Para quem não conhece o Ferrorama original, abaixo podemos ver dois vídeos com um XP-100 e o XP-600 do meu filho:

 



A locomotiva "elétrica" deste Ferrorama XP-600 obviamente também foi baseada num trem japonês, mais moderno: a série EF-65, fabricada pelas empresas Fuji ElectricKawasaki Sharyō, KishaNippon SharyoToshiba e Toyo, entre 1965 e 1979. Ainda estão em operação e executam funções de carga até hoje.

Agora comparemos com a variedade de detalhes e modelos do Super Rail Black original: 


Definitivamente, brinquedos com grande detalhamento visual nunca foi o forte de nossa indústria. Garanto que, pela "febre" dos fanáticos por esses trens, a antiga Manufatura de Brinquedos Estrela S. A. se investisse pesado em se aproximar da qualidade visual do Super Rail Black teria sido posicionada como a principal indústria de brinquedos brasileira.

O que dizer então se essa mesma empresa direcionasse sua visão para a fabricação de modelos exclusivamente brasileiros, como fez a Frateschi, só que movidos à pilha, na proposta original do Ferrorama? Teria sido algo como (imagino eu): "Ferrorama é o trem que toda pessoa brinca até seus 16 anos (ou mais). Posteriormente, as mesmas pessoas migram para os trens Frateschi (ou não, devido à alta qualidade deste Ferrorama fictício)". Creio que até a qualidade dos trens Frateschi seriam imbatíveis diante dessa ótima concorrência. O consumidor teria mais opções, ao final.

Sei que não se compara Ferrorama com Frateschi no ferreomodelismo, mas são opções viáveis e reais que atenderiam melhor os interesses do público. Eu não deixaria meu filho brincar com uma G-22 Frateschi com as mãos. O preço, a fragilidade e a operação impede que seja um brinquedo destinado à crianças. Se houvesse uma G-22 "versão Ferrorama", movida à pilha, mais resistente às intenções dos pequenos, com certeza pais ferreomodelistas se interessariam e comprariam para seus filhos. E não devemos nos esquecer que o ferreomodelismo é um divertimento que aproxima a família inteira, dentre outros benefícios físicos e psicológicos. Com certeza faz mais bem que brincar horas na frente de um monitor.

Hoje meu filho e eu nos dedicamos a um ferreomodelismo onde podemos experimentar nossa relação atemporal sobre os trens e aprimorar nossa amizade. Brincamos, discutimos, observamos, criamos. Tudo isso começa na simplicidade de uma brincadeira, assim como meus pais fizeram comigo. Uma ótima brincadeira que atrai o interesse por família que anda "nos trilhos" do equilíbrio, onde o rancor, o ódio, a mágoa, o preconceito nunca embarcarão.



quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Circuitos funcionando!

De volta com o diário da minha ferrovia, apresento o pleno funcionamento do painel de comando! Em termos ferroviários, o C. C. O. (centro de controle operacional) já está operando a 100%, liberando a bancada para a decoração com ruas, vegetação, construções e pessoas.

A parte elétrica foi a fase mais complicada de ser executada até agora: apesar de ter conhecimentos de eletrônica, fazia tempo que não esquentava o ferro de solda. Tive que lembrar de muitas regrinhas na marra. Mesmo assim, não escapei de ciladas como o AMV (desvio) manual que se revelou um grande problema na maquete: não sabia que este modelo importado conduzia corrente automaticamente de acordo com a posição de suas agulhas (os modelos da Frateschi não conduzem nas agulhas, permitindo maior facilidade para interrupções na energização dos trilhos). Tive que criar mais uma interrupção adicional no terra, fora do painel de comando. A chave ficou no tablado, próximo ao fim do "ramal morto".

Depois de todos os trilhos assentados e fios conectados e soldados, ainda tive que remover alguns trechos longos e desvios mais de uma vez e reconectar cabos que já eram definitivos, ao perceber imperfeições na instalação, falhas no assentamento (que provocaram descarilhamentos) e na alimentação dos trilhos. Confesso que chegou a ser irritante o faz-e-refaz tão repetitivo e as tardes parado, olhando o horizonte com um trilho na mão em busca de ideias que solucionassem meu problema técnico.

Procurei ao máximo evitar pedir a ajuda de meu irmão, que seguiu carreira em tecnologia e saberia resolver os problemas com maior praticidade. Estudei quatro anos de eletrônica e exigi de mim mesmo essas soluções. Para mim, eu deveria saber solucionar.

Muitas tardes que começaram na semana entre o natal e a virada de ano novo de 2012 para 2013. Hoje concluí esta maratona elétrica. Acomodei todos os circuitos  numa caixa de madeira que comprei no Saara (Centro do Rio) e identifiquei todo o cabeamento com fita adesiva.

A primeira composição que rodou no circuito 100% concluído foi o meu metropolitano da Fepasa (SP), que daqui a uns meses, será pintado com as cores institucionais da SuperVia (RJ).









Amanhã farei novas fotos com meus outros trens para testar manobras de simulação carga e descarga e, paralelo à decoração, definirei quais as empresas que estas composições cargueiras servirão. Afinal, ferreomodelismo sério precisa ter propósito. E continua a saga pela escolha do nome que batiza a ferrovia. Ainda não cheguei a uma conclusão satisfatória.



Grande abraço a todos!